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Capítulo III — O Reino Que Ousou Rir

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SR. HANMA

**Capítulo III — O Reino que Ousou Rir (Continuação)**

Após a queda de Eldharyn, o nome de **Kael Dravaryn** espalhou-se pelo continente como uma praga anunciada pelo vento. Não havia exagero nos relatos — apenas omissões, pois ninguém conseguia narrar tudo sem tremer. Ainda assim, houve um reino que riu.

Ao nordeste de Valdoren erguia-se **Skeld**, o Reino do Frio e da Pedra.

### Breve História de Skeld

Skeld nascera da resistência. Suas cidades foram talhadas nas encostas geladas das Montanhas de Khar-Vael, e seu povo aprendera, desde os primórdios, que sobreviver era lutar contra o clima, a fome e invasores constantes. Diferente de Eldharyn, Skeld não se apoiava na fé; apoiava-se na honra.

Por quase quatro séculos, Skeld fora governado por uma linhagem de reis guerreiros, homens e mulheres treinados desde a infância para liderar em batalha. Seu exército era pequeno, mas experiente. Suas muralhas, antigas. Sua confiança, perigosa.

No trono estava **Rei Hrothgar IV**, cinquenta e seis anos, barba espessa como gelo antigo, corpo largo e marcado por guerras passadas. Hrothgar não era tolo nem arrogante — mas acreditava profundamente que nenhum rei se tornava senhor de Skeld sem pagar um preço alto demais.

Quando os mensageiros de Valdoren chegaram, trazendo o selo negro de Kael e suas exigências de submissão, o salão de pedra ecoou gargalhadas.

— **Submeter Skeld?** — disse Hrothgar, levantando-se do trono. — Nós enterramos impérios enquanto Valdoren ainda contava moedas.

A resposta enviada foi curta, quase um insulto:

> *Skeld não se curva. Se deseja ajoelhar alguém, venha tentar.*

### O Planejamento de Kael

Kael leu a mensagem em silêncio.

Não houve raiva. Apenas decisão.

— Eles confundem resistência com força — disse ao Círculo Carmesim. — Vou ensiná-los a diferença.

Diferente de Eldharyn, Skeld exigia outra abordagem. Ataques rápidos, desgaste constante, terror psicológico. Kael não pretendia quebrar apenas muralhas — queria quebrar o orgulho.

Ordenou que vilas fronteiriças fossem cercadas, não sitiadas. Nenhuma fuga. Nenhuma negociação.

— Que o frio leve os sobreviventes — decretou.

### O Massacre do Norte

O primeiro ataque veio com a neve.

As legiões valdorianas avançaram em silêncio, usando capas escuras para se confundir com a noite. As sentinelas de Skeld perceberam tarde demais. Quando os portões secundários caíram, o combate já estava dentro das ruas estreitas.

Houve resistência. Guerreiros de Skeld lutaram com bravura real — machados contra espadas, gritos contra disciplina. Mas bravura não substitui número nem estratégia.

Casas foram incendiadas para forçar combatentes a sair. Praças tornaram-se campos de execução. O sangue escorria pelas pedras congeladas, formando rastros escuros na neve branca. Cada passo era marcado por corpos caídos — soldados, civis, velhos demais para correr.

Kael avançava entre os seus, espada em mãos, sem pressa. Onde surgia resistência mais feroz, ele ia. Onde havia desafio, ele respondia com morte rápida e precisa.

Não havia discursos. Apenas o som do aço, do fogo e do desespero.

### A Queda da Honra

Quando Hrothgar finalmente reuniu suas forças na capital, já estava cercado por relatos de vilas destruídas e estandartes negros erguidos sobre fortalezas antigas.

— Ele não quer Skeld — disse o rei a seus conselheiros. — Quer nos quebrar.

E estava certo.

O cerco final durou pouco. As muralhas, resistentes ao tempo, não resistiram à engenharia de guerra de Valdoren. Quando ruíram, não houve clemência.

Hrothgar lutou até o fim. Foi encontrado ferido, mas ainda armado, entre os corpos de sua guarda. Olhou Kael com ódio contido — não medo.

— Você vencerá batalhas — disse o rei de Skeld —, mas criará inimigos eternos.

Kael respondeu com a mesma frieza de sempre:

— Eternidade não luta. Homens, sim. E homens morrem.

O destino de Hrothgar selou o de Skeld.

### O Aviso ao Mundo

Ao final, Kael não destruiu Skeld por completo.

Deixou ruínas suficientes para serem vistas. Sobreviventes suficientes para contar. E um novo governante — escolhido não por linhagem, mas por obediência.

Quando as bandeiras negras foram erguidas sobre as montanhas geladas, o continente compreendeu.

Não importava fé.
Não importava honra.
Não importava história.

Havia apenas uma escolha agora:
**Curvar-se — ou desaparecer.**

E Kael Dravaryn, senhor do sangue e do aço, já observava o próximo reino no mapa, certo de que o mundo, cedo ou tarde, aprenderia a ajoelhar.

Após a submissão de Skeld, Kael Dravaryn não retornou imediatamente a Valdoren. Um rei comum celebraria a vitória; Kael preferiu caminhar sobre ela. Para governar o medo, era preciso conhecê-lo de perto — sentir como ele nascia em cada fronteira.

### Caminhos, Aliados e Olhares Hostis

A comitiva real atravessou estradas antigas, pontes de pedra e cidades que outrora prosperavam sob tratados comerciais. Kael cavalgava à frente, observando tudo com atenção clínica. Onde havia silêncio excessivo, ele via obediência. Onde havia murmúrio, via futuro conflito.

Em **Ashkar**, o deserto rubro, foi recebido por **Príncipe Zahir al-Khar**, um governante jovem, de olhar afiado e sorriso contido. Zahir admirava Kael — não como amigo, mas como igual.

— Você fez o que todos temiam — disse Zahir, enquanto observavam guerreiros treinando sob o sol inclemente. — Transformou um reino em lâmina.

— Lâminas precisam de direção — respondeu Kael. — Ashkar caminhará comigo ou será pisado por quem vier depois.

Zahir não respondeu de imediato. Sabia que aquela não era uma ameaça vazia. A aliança foi selada sem brindes, apenas com um aperto de mãos firme e silencioso. Ashkar forneceria cavalaria e rotas pelo deserto. Em troca, manteria autonomia — por enquanto.

Já nas **Cidades-Livres de Thalassar**, o tom foi outro.

Os magistrados mercantes o receberam com sorrisos tensos e palavras medidas. Um deles, **Maeron Vils**, ousou confrontá-lo verbalmente.

— Valdoren foi construída sobre comércio, não sobre terror. Você está destruindo o equilíbrio do continente.

Kael aproximou-se, invadindo o espaço do homem.

— O equilíbrio sempre favoreceu os fracos que sabiam negociar — disse em voz baixa. — Agora ele favorece quem decide.

Não houve acordo ali. Apenas uma paz sustentada pelo medo. Kael partiu sabendo que Thalassar conspiraria assim que tivesse oportunidade.

### Rivais e Confrontos

Nem todos os encontros foram diplomáticos.

Nas colinas de **Var-Nor**, um antigo senhor da guerra chamado **Kedryn o Cinzento** reuniu forças para desafiar o avanço valdorian. Kedryn acreditava que Kael era apenas mais um conquistador passageiro.

O confronto foi rápido e decisivo.

As tropas se chocaram ao amanhecer, formando linhas organizadas contra um exército menos disciplinado. Kael não liderou com gritos, mas com posicionamento. Cercou o inimigo, cortou suas rotas de retirada e esperou que o erro acontecesse.

Quando aconteceu, a vitória foi inevitável.

Kedryn foi derrotado em combate singular. Kael poupou sua vida — não por misericórdia, mas por utilidade. O antigo rival ajoelhou-se diante dele dias depois, aceitando servir como vassalo militar.

— Sobreviver também é uma forma de honra — disse Kael, sem julgamento.

### Conversas ao Fim do Dia

À noite, longe dos campos de batalha, Kael reunia-se com seus generais e conselheiros. As conversas não eram inflamadas; eram calculadas.

— O continente está mudando — disse Lady Myrien, observando mapas recém-atualizados. — Alguns reinos pensam em se unir contra você.

— Que se unam — respondeu Kael. — Unidades grandes caem com mais barulho.

General Voren, sempre direto, acrescentou:

— Seus soldados o seguem sem hesitar. Mas quanto maior o império, mais difícil mantê-lo coeso.

Kael encarou o fogo por um momento.

— Coesão vem de propósito — disse. — Eles sabem para onde estamos indo.

### O Rei em Movimento

Durante a jornada, Kael conheceu cidades arruinadas e fortalezas orgulhosas, tavernas silenciosas e salões que se esvaziavam à sua passagem. Crianças o observavam de longe, tentando entender se ele era homem ou lenda. Alguns o temiam. Outros o admiravam.

Ele aceitava ambos.

Cada batalha, cada conversa, cada estrada percorrida reforçava sua convicção: o mundo não respeitava palavras, apenas consequências.

Quando finalmente voltou seus olhos novamente para o mapa continental, agora marcado por novos símbolos e territórios, Kael Dravaryn não via reinos.

Via etapas.

E compreendia, com absoluta clareza, que a guerra não era mais um evento isolado em sua vida — era o próprio idioma do poder.

O Capítulo III encerrava-se não com um triunfo celebrado, mas com um silêncio pesado, prenúncio de algo ainda maior.
Pois onde Kael passara, o mundo havia aprendido uma verdade simples:

A paz existia apenas enquanto ele permitisse.

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