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A nova realidade que mudou o mundo parte 125 - Vaca reprodutora

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AnãoJediManco

Eu não sabia que o inferno podia ter diferentes temperaturas.
Depois de tudo que vivi nos celeiros, o galpão das negras, a cisterna de esgoto, a one bar prison, os animais, o leilão, ser vendida para o Sr. Vargas parecia, no começo, quase um alívio.
A fazenda dele ficava longe da cidade, em um vale verde e bem cuidado. O ar era limpo, havia árvores, o sol batia suave, não como o sol cruel da estrada ou do galpão de zinco. As construções eram brancas, organizadas, quase bonitas. As escravas andavam nuas, mas com o corpo limpo, bem alimentado. Não havia chicotes constantes, não havia gritos o dia inteiro. O Sr. Vargas dizia que ali não era lugar de castigo, era lugar de produção.
Vocês são matrizes de luxo, ele falava, e ele nos explicou no primeiro dia, com voz calma e educada. As falas dele sempre eram: Aqui não batemos e não humilhamos sem motivo. Vocês comem bem, descansam, tomam sol. Sua única função é gerar filhas bonitas, claras, saudáveis, para o mercado de luxo. Quem obedecer, vive bem. Quem se rebelar… aí sim vamos lembrar que vocês ainda são escravas.”
Eu quase ri, quase chorei. Depois de tanto horror, isso soava como paraíso, mas o paraíso tinha regras e a primeira delas é que nenhuma escrava tinha clitóris. Eles arrancavam com cuidado, cirurgicamente, para não danificar a buceta reprodutora. Eu fui levada para uma sala branca e fria. Me amarraram de pernas abertas numa mesa ginecológica. O médico, um homem de meia-idade, óculos, jaleco limpo me explicou como se fosse rotina: “Vamos remover o clitóris, é rápido. Vocês não precisam dele para parir, só atrapalha o controle.”
Não usaram anestesia forte. Só uma injeção local que mal amortecia. Eu senti a lâmina cortar, senti o puxão, senti o pequeno pedaço de carne sendo retirado. Depois veio o cautério, um ferro quente que chiou contra a carne sensível. Eu gritei de medo, mas não senti nenhuma dor, meu corpo inteiro se arqueou. O cheiro de carne queimada encheu a sala. Quando terminou, só restava uma cicatriz lisa, rosada, onde antes havia prazer.
Eu chorei por horas, não pela dor, mas pela perda. Eu nunca mais gozaria como antes. Nunca mais sentiria aquele ponto de fuga que, mesmo nos piores momentos, ainda me lembrava que eu era humana. Agora eu era só um útero com pernas.
A segunda regra para todas as escravas é nunca amamentar. Quando uma de nós paria, a criança era levada imediatamente. Nós ouvíamos o choro distante, mas nunca segurávamos, nunca víamos o rostinho. Trinta dias depois, éramos inseminadas novamente. Inseminação artificial, feita por médicos e veterinários. Eles nos deitavam, inseriam o cateter, injetavam o sêmen selecionado. Depois nos mandavam descansar no celeiro.
A rotina era simples e cruel na sua calma. Pela manhã uma caminhada supervisionada, exercícios leves para manter o corpo bonito e saudável. Tomávamos sol nuas, em filas organizadas, para a pele ficar dourada e atraente. Depois voltávamos para o celeiro, que é um lugar limpo, com feno fresco, camas individuais, comida de verdade com arroz, feijão, carne, frutas. Nós comíamos em silêncio, olhando umas para as outras, todas magras, bonitas, sem clitóris, sem a posse dos filhos.
Metade do dia era descanso. Deitadas no feno, conversando baixo, tentando não pensar. Algumas contavam histórias antigas, outras só olhavam para o teto. E eu pensava em Julie o tempo todo. Onde ela estaria? Será que estava viva? Será que já tinha sido vendida? Será que estava sendo usada como eu fui usada? Eu não sabia.
E isso me consumia mais que qualquer chicote. Às vezes, à noite, quando o celeiro ficava escuro e silencioso, eu colocava a mão na cicatriz onde antes ficava meu clitóris e chorava em silêncio. Eu me sentia vazia, incompleta, como se tivessem arrancado não só um pedacinho de carne, mas a última coisa que ainda me fazia sentir mulher.
Mas o pior não era a falta de prazer, era a calma. Porque nesse lugar “bom”, sem gritos, sem chicotes constantes, sem porra de animais, eu tinha tempo para pensar, tempo para lembrar, tempo para sentir o peso de tudo que tinha perdido.
Eu via as outras escravas, todas bonitas, todas quebradas por dentro, e sabia que éramos apenas úteros ambulantes. Matrizes de luxo, nossos corpos eram cuidados como se fôssemos cavalos de raça. Comida boa, sol, exercício. Mas o objetivo era o mesmo para todas, produzir filhas claras, bonitas, obedientes, para serem vendidas no mercado de luxo. E quando uma de nós paria, a criança já está encomendada, vi isso acontecer três vezes desde que cheguei.
A mulher gritava durante o parto, sem anestesia, como sempre. Quando a criança nascia, eles cortavam o cordão e levavam embora antes que a mãe pudesse ver direito. A mãe ficava ali, deitada na palha, sangrando, chorando, o peito inchado de leite que nunca poderia dar. Trinta dias depois, era inseminada novamente.
Eu via o olhar delas depois, era um olhar morto e vazio. Como se algo dentro tivesse sido arrancado junto com o bebê. E eu sabia que, em breve, seria eu, porque o Sr. Vargas já tinha me dito, com aquele sorriso calmo e educado: “Você ainda é jovem o suficiente. Vai parir mais umas três ou quatro loirinhas bonitas antes da menopausa. Depois veremos o que fazer com você.”
Só baixei a cabeça, porque eu sabia que, mesmo nesse “paraíso” de reprodução, eu continuava sendo escrava. Uma escrava bem cuidada, uma escrava bem alimentada que, no fundo, ainda carregava dentro de si o nome de uma filha que nunca mais veria. Minha Julie, onde quer que você esteja… mamãe ainda te ama. Mesmo que eu nunca mais possa te abraçar, mesmo que eu passe o resto da minha vida parindo filhas que nunca vou conhecer. Mesmo que eu tenha virado exatamente o que eles queriam, uma boa matriz, uma boa puta reprodutora.
No celeiro limpo e bem organizado da fazenda de reprodução do Sr. Vargas, eu conheci as outras putas reprodutoras como eu. Eram cerca de vinte e cinco mulheres, todas brancas, todas entre vinte e cinco e trinta e oito anos, nenhuma tinha clitóris e todas tinham o mesmo olhar vazio que eu já via no meu próprio reflexo. Elas se apresentaram para mim com uma mistura estranha de gentileza e resignação, como quem recebe uma nova companheira de cela sabendo que o destino dela será o mesmo.
A primeira que se aproximou foi Isabel, uma loira de vinte e nove anos, alta, corpo ainda bem torneado apesar das onze gestações. Seus seios eram grandes e pesados, com cicatrizes finas ao redor dos mamilos, marcas de quando tiraram o leite à força no começo. Ela sorriu para mim, um sorriso cansado, sem alegria. Sou Isabel, tive onze gravidez até agora. O bebê deve nascer em dois meses, eles dizem que vai ser loira de olhos claros… bom para o mercado. Ela tocou a própria barriga inchada com a mão. Aqui a gente come bem, toma sol, faz exercício, mas não segura o bebê nunca. Trinta dias depois do parto, já estamos de pernas abertas de novo para a inseminação. É… limpo e quase civilizado, mas continua sendo prisão.
Ao lado dela estava Beatriz, uma morena de cabelo cacheado, trinta e dois anos, corpo mais cheio, com marcas de estrias prateadas na barriga e nos seios. Ela tinha um olhar mais duro, mais resignado. Já pari quatorze vezes, as meninas… ficam aqui ou vão para outros haras. Eu já não sinto mais nada quando tiram elas de mim. É melhor assim, causa menos dor. Ela olhou para o meu ventre ainda vazio. Você vai se acostumar, no começo dói, depois vira rotina. A gente anda, come, dorme, é inseminada. É como ser uma vaca de raça, só que vaca parindo gente.
A mais jovem do grupo era Clara, vinte e cinco anos, loira quase branca, corpo delicado, ainda com cara de menina. Ela tinha acabado de parir o primeiro filho há três semanas e já esperava a próxima inseminação, seus olhos eram os mais tristes. Ela me disse sobre a primeira gravidez. Foi uma menina, ela conseguiu ver o rostinho dela por dois segundos antes de levarem. Era tão pequena… ela chorou por dias. Agora… agora eu só espero. Eles dizem que quanto mais a gente aceita, menos dói. Mas ela ainda sente o peito cheio de leite que não posso dar. Ela tocou os seios inchados e sensíveis. “Eles tiram o leite com bomba. Vendem como leite materno premium. A gente só fica aqui, esperando o próximo bebê.”
Havia também Sofia, trinta e sete anos, a mais velha do grupo. Corpo marcado por vinte gestações, seios flácidos, barriga com estrias profundas. Ela falava pouco, mas quando falava, a voz era baixa e cansada. “Eu já pari vinte meninas. Três meninas mortas. Eles não me deixam nem ver as que morreram. Dizem que não adianta apegar, e agora estou esperando o sexto. Depois disso… acho que me mandam embora, ou me vendem como matriz aposentada. Não sei o que é pior.
Todas elas tinham a mesma marca, uma cicatriz lisa onde antes ficava o clitóris. Todas tinham o olhar de quem já não sonha mais. Todas sabiam que eram apenas úteros com pernas, bem alimentadas, bem cuidadas, mas ainda escravas.
Quando eu contei meu nome e disse que tinha uma filha lá fora, elas baixaram os olhos.
Isabel murmurou: “Aqui a gente aprende a não pensar nas filhas que já pariu. É mais fácil. Senão a gente enlouquece”. E Beatriz completou, com um sorriso amargo: “Seja bem-vinda ao paraíso das vacas, Caroline. Aqui não tem chicote, não tem porra de animal. Só inseminação, sol, comida boa… e o vazio de parir e nunca segurar.”
Clara olhou para mim com olhos úmidos: “Pelo menos você ainda tem uma filha lá fora. Mesmo que nunca mais a veja… você sabe que ela existiu. Algumas de nós nem isso têm.”
Eu me sentei no feno limpo ao lado delas, sentindo o peso da cicatriz onde antes ficava meu clitóris, o ventre ainda vazio, o peito já começando a doer com a ideia de leite que um dia viria. E pela primeira vez desde que tudo começou, eu senti um tipo estranho de alívio misturado com tristeza profunda.
E enquanto eu olhava para as outras mulheres ao meu redor, todas bonitas, todas quebradas, todas esperando a próxima inseminação, eu só conseguia pensar em Julie.

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