#Traições

Reencontrando minha ex (parte 2)

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DanielNAT

Por um segundo, pensei em tudo o que podia dar errado. Ela era casada. Eu era casado. No segundo seguinte, pensei em tudo o que sempre ficou inacabado

Se você não leu o inicio da história, eu recomendo que faça. Assim você vai entender melhor o porque eu estou em um dilema.

Vamos ao conto:

eu estava no trabalho quando chega uma notificação:

"Oi"...

Meu coração disparou de um jeito quase ridículo. Era só um “Oi”. Mas aquilo carregava quase vinte anos de história mal resolvida.

Demorei alguns segundos encarando a tela do celular, como se responder fosse atravessar uma linha que eu tinha jurado, em silêncio, nunca mais pisar. Respirei fundo, digitei, apaguei, digitei de novo.

- Oi, Mel. Que bom receber sua mensagem.

Simples. Seguro. Adulto. Pelo menos era o plano.

- Como você está? Ontem ficou um clima meio estranho, não foi? Me desculpe - Ela respondeu rápido demais pra quem só queria ser educada.

- “Também achei estranho… mas acho que é normal um clima estranho kkk.
Eu tô bem. Trabalhando demais, treinando quando dá. Vivo, basicamente.
Mas e você? E não vem com aquela resposta automática de ontem.”

Alguns minutos de silêncio. Longos. Eu já começava a me arrepender quando o celular vibrou de novo.

- Confusa, - ela escreveu. - Mas eu sempre fui uma pessoa confusa, né kkk. É que tô com uns probleminhas em casa, mas já já tudo se resolve. Além disso, a vida tem cada surpresa que aumenta a minha confusão e me faz fazer coisas que não sei se deveria. Tipo, tentar uma amizade com você.

Aquilo me atravessou. Não porque fosse uma confissão dramática, mas porque era honesta. Melissa sempre foi assim. Direta quando decidia ser.

A conversa seguiu aos poucos, cautelosa, como duas pessoas andando em um terreno minado que conheciam bem demais. Falamos de trabalho, de música, de como Natal continuava e pequena demais. Evitamos, quase por acordo tácito, falar de casamentos.

Até que ela quebrou o pacto.

“Daniel… posso te fazer uma pergunta meio injusta?”

Eu sabia que deveria dizer não. Sabia mesmo.

“Pode.”

“Por que você sumiu daquele jeito?”

Fiquei olhando para aquela mensagem por um tempo que pareceu indecente. Minhas mãos suavam. A resposta verdadeira sempre esteve ali, presa atrás de anos de silêncio, cicatrizes e escolhas que eu achei que eram definitivas.

- Eu não soube ser honesto. - escrevi - Achei que estava protegendo você, mas na real só estava fugindo. Pra piorar, quando tentei me reaproximar, você estava se protegendo e me deu aquele ultimato, lembra: ou seremos só amigos ou seria um "ADEUS”. E como eu te respondi, não conseguiria isso naquele momento.

Ela demorou a responder dessa vez. Quando respondeu, foi só:

“Isso explica muita coisa… e ao mesmo tempo não explica nada. Éramos novos e imaturos.”

Eu quase pude ouvir sua voz dizendo aquilo.

A conversa terminou naquela noite sem conclusões, sem promessas. Um “boa noite” educado demais para duas pessoas que um dia já tinham dividido segredos, corpos, medos e sonhos.

Mas algo tinha mudado.

Nos dias seguintes, as mensagens continuaram. Curtas no começo. Depois mais longas. Risadas digitadas. Lembranças que surgiam sem aviso. Não havia flerte explícito, não havia planos. Só uma intimidade antiga acordando devagar.

E o que mais me assustava não era o que eu sentia por ela. Era perceber que, apesar de tudo o que eu tinha construído ao longo dos anos, uma parte de mim nunca tinha realmente ido embora daquela escola de música. E agora, o meu passado estava de novo do outro lado da porta.

Alguns dias depois, depois de muitas mensagens que começavam inocentes e terminavam perigosamente longas, eu sugeri um encontro. Escrevi sem rodeios, talvez por medo de pensar demais:

- Que tal a gente jantar qualquer dia desses? Só pra conversar com calma.

A resposta demorou. Quando veio, dava pra sentir a resistência em cada palavra.

- Daniel… eu não sei se isso é uma boa ideia. Não quero bagunçar coisas que já são confusas.

Eu respeitei. Ou tentei.

- Eu entendo. A ideia não é bagunçar nada. Só jantar. Conversar. Como dois adultos.

Silêncio de novo.

- Se for só um jantar - ela respondeu por fim, - tem que ser em um lugar mais afastado. Nada de conhecidos, não quero problemas.

“Combinado.”

O restaurante era pequeno, aconchegante, luz baixa demais para ser casual e tranquila demais para ser romântica demais — aquele meio-termo perigoso. Quando cheguei, ela já estava sentada. Vestido simples, cabelo cacheado solto, o mesmo sorriso contido que ela sempre usava quando estava tentando parecer no controle.

O começo foi cuidadoso. Falamos de comida, do lugar, do vinho. Mas bastou a segunda taça para as defesas começarem a baixar. A conversa escorreu para lembranças inevitáveis: a escola de música, as implicâncias bobas, as primeiras noites longas demais.

Ela ria com a cabeça levemente inclinada, como fazia antes. Eu percebi que ainda prestava atenção nos mesmos detalhes.

— Engraçado — ela disse, girando a taça devagar — como algumas coisas nunca mudam.

— E outras mudam demais — respondi, sem saber exatamente do que estava falando.

Houve um silêncio confortável. Daqueles que não pedem explicação.

Quando o jantar terminou, eu paguei, apesar dela insistir em dividir. Do lado de fora, a noite estava morna. Ela hesitou antes de chamar um carro de aplicativo.

— Quer carona? — perguntei. — Não bebi quase nada.

Ela me olhou por um segundo a mais do que o necessário.

— Tá… pode ser.

No carro, o mundo pareceu encolher. O som baixo, as luzes passando rápidas demais, o cheiro do perfume dela trazendo memórias que eu achei que tinham sido apagadas. A conversa, naturalmente, foi ficando menos cuidadosa.

- Você lembra daquela vez… — ela começou, rindo — não, deixa pra lá.

- Agora já era — provoquei. — Vai ter que terminar.

- Deve ser o vinho falando. Mas você lembra do nosso primeiro beijo?

- Claro, você queria que eu provasse uma coxinha de massa de macaxeira, me levou na lanchonete, mas não tinha. Na volta, a Jay (nossa amiga) que tava com a gente, deu aquele empurrãozinho e aí, no meio de uma rua semi-deserta...

- Lembra de tudo kkkkk eu sou mesmo inesquecível.

Rimos bastante. Depois lembramos de outra história. E outra. O tom mudou. As palavras ficaram mais lentas, os olhares mais demorados. Havia algo sendo dito sem som nenhum.

Em um semáforo fechado, o silêncio caiu pesado. Eu virei o rosto quase sem perceber. Ela já estava me olhando. Não havia surpresa ali. Nem medo. Só reconhecimento.

Por um segundo, pensei em tudo o que podia dar errado. Ela era casada. Eu era casado.

No segundo seguinte, pensei em tudo o que sempre ficou inacabado.

Não sei quem se inclinou primeiro. Só sei que o beijo aconteceu com uma naturalidade assustadora, como se tivesse sido apenas adiado por anos. Não foi apressado, nem tímido. Foi um beijo cheio de memória, de cuidado e de coisas não ditas.

Quando nos afastamos, o sinal ainda estava vermelho.

Ela respirou fundo.

— A gente acabou de fazer algo muito errado e perigoso, né?

Eu assenti, ainda sentindo o gosto do vinho e dela.

— Me desculpa. Me deixei levar pelo sentimento e pelo desejo... — perguntei.

Ela não respondeu de imediato. Apenas olhou pela janela, depois voltou o olhar pra mim.

— Eu também queria muito esse beijo. E é isso que me assusta.

O sinal abriu. Continuei a dirigir.

Mas nós dois sabíamos: dali em diante, não havia mais como fingir que havia sido só um jantar.

>>>>>Continua<<<<<

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Comentários (1)

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  • Viviane: Que conto gostoso. Já tive um amor assim. Casei, mas meu ex era meu amor e meu dono e passei anos dando pra ele mesmo depois de casada. Engravidei e não sei até hoje quem é o pai biologico, mas pai é quem cria e foi meu esposo quem deu nome e sustento ao nosso filho.

    Responder↴ • uid:1dt0a2ni8zgg