O início: como transformei meu vizinho tímido em um dominador
Vi meu vizinho Filipe virar um puta de um cafuçu bem diante dos meus olhos e na primeira oportunidade, cai de boca nele e o garotão tímido virou um dominador.
Não vou enrolar muito. Meu nome é Augusto, mas todos me chamam de Guto ou Gutinho. Tenho vinte e um anos. Sou branco, cabelos curtos, claros e bagunçados. Tenho um metro e setenta de altura e sessenta e quatro quilos. Sou cuidadoso com a minha aparência, ou seja, mantenho uma alimentação saudável e uma rotina de treinos bem regrada – além de contar com uma boa genética. Outra coisa sobre mim é que sou viado. Bem viado mesmo. Mais que viado, viciado em macho. Sou demais. Essa é a minha perdição.
Moro com meus pais em um condomínio de vários apartamentos, no subúrbio da minha cidade. E é aí que entra o Filipe. Ou melhor, ele entra no apartamento ao lado. É nosso vizinho há, pelo menos, uns sete anos. Mudou para cá novinho, com uma menina e um bebê de colo. Duas ex-crianças criando outra criança, a premissa de um fracasso anunciado. Dito e feito. O casamento, promovido pelos pais, não durou três meses. A menina foi embora e levou a criança junto.
Desde então, Filipe mora aqui e mudou bastante. Nunca mais “casou”. E, apesar de discretíssimo, o menino mirrado, cresceu e virou um cafuçu enorme. Aos vinte e seis anos, com mais de um metro e oitenta, muito bem distribuídos, se transformou em um puta homem gostoso. Bem moreno, cabelos curtos e escuros, com algumas tatuagens. Entre elas, o nome da filha escrito no braço, um braço enorme, diga-se de passagem. Para melhorar um pouco o fetiche, o papai dedicado trabalha em uma empresa carregando botijões de gás de cozinha, e usa aqueles uniformes típicos de peão. Macacão surrado e botinas. Uma delícia.
Tudo isso, mantendo algo que sempre teve desde que pisou por aqui: a timidez e a cara de menino, meio bobo. Mais delícia ainda!
Confesso: acompanhar de longe essa transformação foi mexendo comigo. E, aos poucos, Filipe passou a ser minha meta número um em termos de macho. Não era como se eu quisesse ter ele. Eu precisava ter ele. Olhar e brincar sozinho, estimulando minha imaginação, não era mais suficiente. Foi aí que eu acho que comecei a dar mais bandeira. Meus olhares não eram mais tão discretos e, mesmo com toda a falta de atitude, tornou-se visível o quanto eram perturbadores para ele.
Não que nós tivéssemos qualquer tipo de relação. Eram os olhares furtivos mesmo, quando nos esbarrávamos no corredor, eu saindo e ele chegando ou vice-versa. Meus olhos quase o engolindo, e os dele, me condenando. Até o dia em que nossa interação ultrapassou essa barreira e foi além dos cordiais bom dia, boa tarde e boa noite.
Foi em um domingo, início de noite de outono, daqueles quando já não é muito calor e ainda não faz frio. Eu estava sozinho em casa e tinha acabado de abrir uma cerveja. Vestia um shortinho e uma camiseta básicos. E ia ligar a televisão quando ouvi uns barulhos estranhos vindos do corredor do prédio. Quando abri a porta, dei de cara com ele, tentando abrir a porta do apartamento.
Minha presença o assustou e foi na troca de olhares que percebi que ele estava alterado. Bêbado, provavelmente, e, por isso, não conseguia entrar em casa. Quase uma situação banal. Quase. Na verdade, foi um daqueles momentos que é difícil de descrever. Milésimos de segundos em que nossas cabeças produzem insights capazes de mudar nossas vidas.
Não sei quais processos cerebrais me fizeram enxergar ali uma oportunidade. Mas eu enxerguei. E apostei tudo nela. Tanto que minha fala saiu meio atropelada:
— Precisa de ajuda, Fil-
Não fiz questão de terminar a frase, porque ele permanecia meio paralisado e não queria assustá-lo, demonstrar muita intimidade. Não ainda.
— Tô lega- — pausou, para engolir um soluço. — Vou abrir aqui — afirmou arrastado.
Bem, não seria tão fácil.
— Claramente, tá meio difícil pra você. Eu ajudo — disse já me aproximando. E isso fez com ele recuasse. Tanto para abrir um espaço em frente a porta, quanto para evitar uma proximidade maior entre a gente.
Naquele nosso joguinho de xadrez que estava começando, o recuo dele serviu de oportunidade para que eu pudesse analisá-lo melhor. Detalhadamente. Estava de camisa de time e com uma calça jeans que não era justa, mas vestia bem. Nos pés, um tênis da Nike. Estava especialmente gostoso com as mangas da camiseta completamente preenchidas pelos braços e as calças, do mesmo modo, cheias daquelas pernas que deveriam ser uma delícia.
O raio X a que eu o tinha submetido fez com que ele também me olhasse com mais atenção. Uma olhada, porém, mais contida. Menos detalhada, não faminta e desesperada como a minha. E que, ato contínuo, poderia apostar que seria sucedida de alguma fala dele, mas eu fiz questão de ser mais rápido:
— Me empresta a chave que eu abro.
Sem questionar, mas meio cabreiro, ele estendeu o molho de chaves, já segurando a que seria correta. E, obviamente, eu não perdi a chance de tocar a mão dele ao pegar. Um toque rápido, que para um espectador passaria facilmente despercebido. Mas não para mim. E talvez não para ele, que baixou os olhos e acompanhou meu movimento. Um toque singelo de mãos. E que mão a dele! Grande, com veias salientes, dedos grossos e que faziam minha imaginação fervilhar.
Quantas coisas eu queria que aquele homem fizesse comigo, mas naquele momento não era hora de me perder em devaneios. Então, me apressei em abrir a porta. Só que não me movi um centímetro da entrada. Apenas o encarei e anunciei, agora, com um tom tão gentil quanto manhoso:
— Prontinho.
Feito, agora a bola estava com ele. E a escolha foi manter a defensiva.
— Com licença — pediu, sério, mas visivelmente inquieto, ainda sem se mexer.
Sem arredar muito, abri um espaço para que ele passasse. E, acho que vendo não ter outro jeito, ele entrou. Passou por mim naquilo que foi, talvez, o mais perto que já tínhamos chegado um do outro. Perto o suficiente para eu sentir o cheiro dele naquele momento. Um perfume de cerveja, desodorante e suor. Daqueles cheiros que são inebriantes e provocadores para um viado necessitado.
Foi o meu primeiro momento de fraqueza, porque abandonei todo o joguinho e só me permiti inspirar o cheiro dele. O perfume dele. Perfume, porque eu queria que desse pra comprar em frascos. Cheiro de macho.
De novo, milésimos de segundo. Tão fugaz que eu sequer percebi meu desalinho. Mas nem tanto, já que ele percebeu. E essa percepção deve ter sido o combustível que o fez fincar o pé no chão, girar e voltar a me encarar. Um claro sentimento de falo ou não falo. As engrenagens trabalhando na cabeça. A cara tímida que, agora, era pensativa. E cedia à coragem trazida pelo álcool.
— Por que tu me olha desse jeito? — as palavras brotaram.
Opa, um tiro, assim, a queima roupa. Justo no momento em que eu estava desprevenido. Qual era a saída? Usar uma arma que todo o viado domina melhor que qualquer outra espécie, o cinismo.
— Que jeito? — devolvi, no meu melhor personagem desentendido.
— Qual é? Eu fico na minha, bebi umas, mas eu não sou burro — disse sério. Cara amarrada. E mostrou que estava disposto a jogar valendo, as ganhas.
Hora de recalcular a rota. Se havia uma brecha, era naquele momento. E se a estratégia era a sinceridade, seria com ela que eu jogaria também. E eu não tardei:
— Ah — suspirei. — Porque tu é um gat-
— Mas eu não sou puto — cortou, afiado como uma navalha, antes mesmo de eu molhar o bico.
E o jogo escalava em mais um nível.
— Então, não precisa ter medo — confrontei, tranquilo, achando ali o meu lugar naquele campo. A minha zona de conforto.
Sem entender, ele hesitou por um instante. E aos poucos parecia ir recobrando a consciência. Sem, porém, perder a súbita coragem que tinha ganhado. Me fitando nos olhos, perguntou:
— Que medo o quê?
Era o momento da artimanha mais baixa que um viado que está caçando um macho pode usar: o sorrisinho sacana, fácil, safado, de puta sem vergonha. Aquele que emplaca em qualquer momento. Na briga, no flerte, na provocação, no ponto alto do sexo. Aquele que inverte as posições, tira todas as armaduras do interlocutor e, depois, dá a ele a munição para revidar bem como a gente espera. Com gana.
Foi com essa expressão que eu sustentei o olhar e respondi:
— Medo de que um viado te olhe e te ache um puta gostoso. Porque é só isso. Tu é hétero, mas também é uma delícia.
Instante um: o desarme.
— Não tenho medo, mas não vai rolar... — respirou fundo. — Aí, tu não tem vergonha de ficar fazendo isso? — rebateu, meio contrariado com o caminho que aquela conversa estava tomando, ali, sob o batente da porta do apartamento dele.
Instante dois: a troca de posições.
— Vergonha de dizer que curto um homem que nem tu? De assumir que eu queria ser tua mulherzinha? Só porque tu não curte? Não tô te obrigando a nada — dei de ombros.
Instante três: a gana.
— Olha as coisas que tu tá dizendo, seu boiola do caralho — me mirou com certa irritação.
— Nada demais — o encarei desafiador. — A não ser que isso te incomode porque-
A mera insinuação fez com que ele partisse para cima de mim e me prensasse na parede. Olho no olho. Respiração na respiração. E um hálito de cerveja e Halls tomando o meu rosto:
— Para de frescurinha.
— Já te disse: não tô te obrigando a nada. Mas não vou deixar de dizer que queria-
Não pude continuar por um momento, quando o antebraço apertando o meu pescoço fez mais pressão. Precisei de um segundo para recuperar o fôlego e dobrar a aposta:
— Vai me bater?
Não obtive resposta, nem em palavras nem em ação. Acho que ele não sabia o que fazer. E não percebia. Não tinha dimensão da cena.
Aquele homem maior do que eu, mais forte do que eu, meio bêbado, cheio de raiva, mas ali. Colado em mim, me imobilizando, corpo me pressionando, com o rosto a pouquíssimos centímetros do meu. No tênue limite entre a agressão e o sexual. Se é que existem limites. Provavelmente, não. Afinal, é nesse tipo de situação que nossos corpos e nossa mente nos traem.
Traíram a mim. Eu, ali, talvez prestes a tomar porrada. Mas com o cuzinho piscando mais do que nunca, o tesão me movendo e transbordando de todos os meus poros. Me fazendo arriscar sem qualquer receio, pagando cada vez mais para ver até onde íamos.
E traiu a ele. Ele que quase bufava de raiva. Pronto para me violentar do jeito que quisesse, sem qualquer impedimento. Não fosse uma ereção brotando. Uma fagulha de tesão prestes a incendiar um ambiente altamente inflamável. E a virar o jogo. De novo.
Num silêncio sepulcral entre nós, com as respirações fazendo o maior barulho que poderia ser ouvido, foi que percebemos. Eu e ele. Numa reação rápida, ele aliviou a pressão no meu pescoço. E eu sorri vitorioso, encarando o volume escandaloso naquele jeans.
Era o momento mais vulnerável dele, completamente perdido. Também era a minha mais clara oportunidade de assumir o controle. De impedir que a timidez dele trouxesse qualquer discernimento àquele homem sempre tão contido. E mais: era o grande momento de garantir que eu não sairia dali sem ganhar o que tinha ido buscar.
— Posso te ajudar a resolver isso — disse, levando minha mão ao encontro do volume.
O movimento o fez se afastar mais ainda, depressa.
— Já disse que eu não sou viado...
— Mas?
E as palavras começaram a se embolar. Tentativas de explicações sem nenhum sentido. Muito tempo sem sexo, uma menina que não correspondeu, o álcool. Nenhuma delas se criou no meu campo de jogo.
— Olha, vamos ser práticos, tá? — propus, antes que o tesão que tinha se insinuado ali pudesse se esvair. — Tu não é viado, eu sou. E, assim como te ajudei com a porta, posso ajudar agora — e, por falar na porta, aproveitei para fechá-la. E oficializar, sem convite mesmo, a minha primeira visita a casa dele. A portas fechadas. Um movimento rápido. Novamente, de instantes.
Ele seguia em silêncio, sem reação, me olhando.
— Eu sou viado, tu só tá com tesão. E eu posso fazer o que tu quiser para aliviar.
— Vai embora, eu não quero aliviar nada contigo — ele fez menção de vir até a porta e abri-la novamente. Não deixei. E novamente nos aproximávamos. Era hora de apelar.
— Não é o que parece. Vai dizer que não ficou com tesão. Que, em nenhum momento, te passou pela cabeça me botar pra mamar aqui mesmo? Relaxar e dar uma leitada na minha garganta? Assim, na moralzinha, sem ninguém saber? Só tu sabendo que lambuzou minha cara com o teu leite?
E, mais uma vez, o ataque surtia efeito. A rola, estourando o jeans, se movimentava, totalmente ignorante, indomável. Avisava que queria sair. Que, à revelia do dono e de qualquer racionalização, aceitava a proposta. Que queria uma patolada. E, bom, esse pedido eu não deixaria de atender.
Meu primeiro toque, sobre a roupa mesmo, o fez estremecer. Mas ele não tirou minha mão, dessa vez, apenas observou. E não sei o que o fez perder força, porém a negativa, que veio, saiu menos convicta:
— Eu não vou deixar tu me mamar.
Ele havia concedido um pouco, então, era minha vez. Insistir não era o caminho adequado. Não agora. Então, melhor lançar uma contraproposta e ganhar com menos vantagem em um primeiro round.
— Então, me deixa bater uma pra ti, aliviar — disse já fazendo os movimentos sobre o pau dele.
Agora, não havia mais negativa. E quem cala consente, não? Não, quando levei a outra mão ao zíper, ele me impediu. Em silêncio, apenas com o olhar acompanhando todos os movimentos. Ainda estava difícil, mas nós já tínhamos chegado até ali. Então, assenti. E voltei a jogar.
— Ó, eu vou me ajoelhar aqui. E ficar esperando. Esperando tu gozar pra mim — avisei, enquanto me ajoelhava e deixava a mão dele sobre o zíper, com a tarefa e o direito de tomar a iniciativa.
A bola estava com ele e não tinha outro caminho além do gol. Então, dito e feito. Bola na rede. Um golaço! Mas em silêncio, discreto, com movimentos que diziam muito mais do que palavras. Ele desabotoou a calça, abriu o ziper e hesitou, ao tempo em que eu contemplava aquela rola, guardada para a direita, claramente dura e potente, pedindo para sair. Apesar disso, tenho a impressão de que foi meu olhar de desejo, de fome, aquele típico olhinho que pede pica que o fez baixar a boxer preta que guardava o meu troféu. E que troféu.
Uma rola morena digna daquele cafuçu enorme e corpulento. Maior que a média, talvez passando dos vinte centímetros. Grossa na medida certa para um desconforto gostoso. Com pelos aparados e exibindo um cabeção pedante, ignorante e babão.
Tudo para mim, mas no seu devido tempo. Motivo pelo qual, segui ali, ajoelhadinho, abaixo do nível daquela piroca, submisso, esperando que ele ditasse o ritmo. E mais: que ele fizesse nascer o macho dominador que começava a reivindicar os seus direitos dentro daquele apartamento.
Duro que nem uma pedra, veias saltadas e imponentes. Foi nessas condições que ele começou a punhetar o próprio pau. Em mais um joguinho de olhares. Ele, de olhos fixos nos meus. Eu, completamente hipnotizado por aquela rola, por aquele ato de autoapreciação. Minha fixação, porém, parecia uma afronta a ele. Esse era o novo jogo. Como eu tinha a audácia de ficar tão maravilhado com o pau dele? A ponto de sequer olhá-lo nos olhos.
— Tu é muito sem vergonha — chamou a minha atenção.
Eu era, era tanto que lancei a ele um novo sorrisinho. Um sorrisinho de confirmação. De que ele não tinha visto nada. E quem respondeu não foi Filipe. Foi a rola, numa pulsada nervosa, confrontando a mão grande dele durante aquela punheta. Pedindo mais, querendo mais, me convidando para mais.
Como não aceitar? Como não tomar impulso para dar àquela piroca a boca quente que ela pedia? Não sei e foi por isso que não me contive. E fui. Só que ele me conteve. Num recuo rápido e estendendo a outra mão, que estava livre.
— Já disse que tu não vai mamar.
Tudo bem, então.
— Mas deixa eu chegar perto? Por favor — pedi manhoso.
E aí vinha o contra-ataque, muito bem disfarçado, meticulosamente, cheio de más intenções. Sem hesitação, peguei a mão dele e levei aos meus cabelos.
— Pode controlar, mas deixa eu chegar perto?
Assim que ele cedeu, liberando minha aproximação. Permitindo que eu respirasse o mesmo ar que aquela piroca enorme, morena, dura e cheia de veias. Uma senhora piroca, que queria uma única coisa: gozar, com vontade.
E a mão enorme do meu vizinho Filipe trabalhava para isso. Aos poucos, como se estivesse se autoapreciando. E, ao mesmo tempo, apreciando o meu encantamento com aquela cena.
Eu, o vizinho viado, ali, ajoelhado aos pés dele, pronto para o que ele quisesse me dar. O vizinho inconformado, que iria tentar tanto quanto fosse possível:
— Deixa eu bater pra ti? Eu juro que vou me comportar — continuei fazendo manha.
Minha promessa veio junto da minha melhor cara de cadela inocente, servil e submissa. Não arrancou uma resposta de pronto, mas o fez pensar. E, quando alguém pensa muito, é preciso outro alguém para tomar a iniciativa.
Foi o que eu fiz, em um movimento lento, sem grandes arroubos. Subi a mão pela perna dele, sobre a calça, até chegar aquele caralho que estava descoberto, duro e imponente, apontando para frente.
Primeiro, ele colocou a própria mão em cima da minha. Mas, depois, sem protestos, me deu espaço e foi assim a primeira vez que eu senti no toque aquele pau que eu tanto queria. Um pau que representava o mais puro contrassenso: macio ao toque e duro como uma barra de ferro.
Quente e todinho entregue aos meus desejos. Porque era isso, exatamente isso: Filipe estava entregue aos meus desejos. Poderia ser só uma punheta, mas, a partir daquele momento, também poderia ser tudo mais que eu quisesse. Modéstia à parte, sabia muito bem que ele não resistiria a mais nada. Eu mamaria se quisesse. Ele me comeria se eu também quisesse. O futuro daquela interação sexual era simplesmente o que eu desejasse que fosse.
E, eu queria ir devagar, focar na experiência. Fidelizar o meu cliente. Por isso que deixei que minha mão concedesse atenção e explorasse aquele membro, cabeçudo e abusado, enquanto meus olhos, agora, focavam apenas em encará-lo. Tudo para mexer com ele. E estava dando certo.
Sem precisar se punhetar, Filipe finalmente começava a relaxar nas minhas mãos. Ainda me encarando, veio o primeiro gemido, que me fez lamber os beiços. Mesmo sem prová-lo, era delicioso fazer um macho daqueles gemer nas minhas mãos.
Apreciando tanto quanto ele, eu ia e vinha com aquela pica, sentindo cada centímetro daquela extensão. Sem pressa alguma, como se eu tivesse uma vida inteira para fazer meu vizinho gostoso gozar. O segundo gemido, porém, me mostrou que ele tinha mais pressa. Ao mesmo tempo, o fez revirar os olhos.
Mais entregue, Filipe ergueu os braços e os contraiu sobre a cabeça. Um senhor bração moreno! Os músculos definidos, sem qualquer artificialidade de academia, quase tiraram o meu foco, confesso. Se tem uma coisa nos homens que me tira do sério, é um braço forte, grande, bonito. Só que não naquele momento. Era hora de se concentrar.
A entrega dele era a hora certa do meu bote. Com os dedos trançados atrás da cabeça e completamente relaxado, meu vizinho tinha deixado a pica não só ao alcance das minhas mãos. Mas também da minha boca. E, dessa vez, eu não hesitei em engolir todinho o pau dele de uma só vez. A cabeça batendo no fundo da garganta e o meu nariz farejando todos os pentelhos dele. Completamente entubado, ainda consegui ouvir o urro, seguindo de um:
— Filho da putaaaa, ooorgh!
De boca cheia eu estava, de boca cheia eu continuei. Sem responder, segui engasgando naquela piroca até sentir a mão do Filipe no meu cabelo.
— Quem disse pra tu cair de boca, heim, cadela? Não disse que não era pra tu mamar?
Disse, disse várias vezes. Mas era mentira. Eu sabia, ele sabia, qualquer um que pudesse ver o quanto o meu boquete estava virando a cabeça dele sabia que era mentira. Então, tudo que eu poderia fazer era ignorar e continuar engolindo aquele pau. Deixar que minha resposta fosse só o glup, glup da minha saliva se misturando com a baba da rola dele.
E eu dei meu melhor nessa missão. Devorei aquela rola morena, linda, grande e dura como se fosse minha última. Como se minha vida dependesse disso, e como se ele merecesse toda a minha atenção.
Não tinha erro, assim como também não tinha mais resistência. Filipe estava entregue ao meu jogo. Ao nosso jogo.
— Cachorra, ssssssshi, parece que nunca viu um pau — ele balbuciou. — Mesmo eu dizendo que não era pra me chupar.
Tudo bem, era jogo que ele queria? Era jogo que ele teria. Eu era plenamente capaz de interromper aquele boquete perfeito, incorporar de volta a minha melhor cara de vadia, toda babada de rola e provocar:
— Quer que eu pare, seu gostoso? Quer?
Olhando no fundo dos meus olhos, com a mesma gana das vezes anteriores em que eu o havia provocado, Felipe segurou firme meus cabelos e deu o tom:
— Tu é puto e não sabe obedecer? Eu mandei parar de mamar, vadia? — deu um tapinha na minha cara. — Responde se eu mandei?
Mais um sorrisinho.
— Não era isso que tu queria? Tu não veio aqui na minha porta que nem uma cadela no cio pedir pica? — segurou meu queixo com a outra mão.
— Sim — sussurrei.
— Então, mama, vagabunda — ele me forçou de volta.
Mas eu resisti. Aquela partida ainda não tinha terminado. E o jogo estava no meu campo, no meu tabuleiro. Ele era só mais uma pecinha.
— Mama, viado — repetiu.
— Só se tu pedir direito.
— Como é que é? — fechou a cara e, mais uma vez, vi que eu estava brincando com o fogo.
Arriscando muito levar porrada, mas que culpa eu tenho de gostar do perigo?
— Isso mesmo, eu quero te ouvir dizer “Gutinho, mama meu pau” — falei cínico.
Apertando mais meu queixo, ele abaixou o rosto.
— Tu tá te divertindo, né, sua puta? É tudo um joguinho, não é, o prostituta dos infernos?
Comigo em silêncio, ele deu um tapa no meu rosto. Nada forte. Um tapa gostoso. Um tapa de sexo.
— Responde, cachorra, que eu tô mandando — puxou mais forte.
— Ai, gostoso. Se fizer forte assim eu me apaixono — me aproximei do pau dele.
Filipe, claro, não resistiu. Ele estava curtindo tanto ou mais do que eu. Minha boca no pau dele era tudo que nós dois queríamos. E eu voltei a entregar tudo que precisávamos: o melhor boquete que eu poderia pagar.
Lambi, chupei, engoli a cabeça, as bolas, engoli tudo. Meu vizinho gostoso gemeu, urrou, disse coisas sem sentido, mas assumiu o papel que eu sempre soube que caberia a ele: o de dominador.
— Abre a boca, abre a boca e engole tudinho, vai, piranha. Quero botar até as bola na tua goela — avisou.
Ajoelhado, submisso, satisfeito, eu obedeci. Deixei que ele comesse minha boca como se fosse uma buceta.
— Iiiisssssh — gemeu.
— Sssssssssshiiiia — e eu soltei, me babando todo, quando ele tirou o pau da minha garganta.
Mas fui eu mesmo que voltei a engolir tudo, lá no fundo, sentindo aquele cabeção gordo esmagar minhas amídalas e me preencher, me obrigando a respirar o melhor cheiro de todos. O cheiro dos pentelhos dele. O cheiro dele, de macho. Um macho que ganhava um boquete como sempre mereceu. Dedicado. Tão dedicado que o deixava quase na ponta dos pés. Arrepiado.
E era no arrepio que aquele pau crescia. Inchava na minha boca e mandava o aviso que eu tanto queria. De que se a gente seguisse naquela violência, logo eu ganharia uma leitada. E o que eu faria? Nadinha. Agora, era continuar dedicado e deixar que ele fodesse minha boca como se eu fosse um brinquedinho.
— Arrrgh, caralho, que boquinha de vadia — ele seguiu metendo. — Desse jeito, vou botar um mingau na tua goela, sua puta!
O aviso era música para os meus ouvidos.
— Posso? — perguntou.
Só que eu não respondi. Continuei mamando como se eu pudesse sugar o leite daquela vara à força. E Felipe repetiu a pergunta:
— Posso gozar na tua boca, seu viado?
Dominador, mas sempre muito educado. Apesar disso, não, eu não iria verbalizar. Minha resposta foi a seguinte: com a cabeça daquela rola na ponta da minha língua, eu mirei os olhos dele e engoli tudo. Uma garganta profunda de respeito. Foi o tiro de misericórdia sobre meu vizinho gostoso.
Totalmente rendido, ele se curvou forçando minha cabeça contra aqueles pentelhos deliciosos e soltou um urro que certamente o prédio todo ouviu. A coroação do meu grande momento, para toda a vizinhança saber. O cafuçu tesudo do 401 estava enchendo minha boca de porra e eu não iria desperdiçar uma gota daquele leite.
— Uuuurh, puta que me pariu, cacete — ele soltou, mais baixo, ainda respirando ofegante, enquanto eu trabalhava naquela ferramenta.
Seguia tentando encará-lo, ao mesmo tempo em que limpava cada resquício de leite naquele pau. Quando estava lustroso, e Felipe já recuperando o fôlego e a consciência, ainda ajoelhado, me afastei e o mirei de baixo. Queria que ele me visse como eu gostaria de ser para ele: uma puta, submissa e totalmente disposta a dar àquela rola tudo que ela merecia.
Como se tivesse voltado a ficar sóbrio de uma hora para outra, meu vizinho me devolveu o olhar e disse:
— Te falei que eu não sou viado, então, isso não vai acontecer de novo.
Apesar da seriedade, a cena era quase cômica, porque aquele pau meia bomba seguia ali, me encarando também, agradecido. Isso me fez sorrir, vitorioso. Ficando em pé, de frente para ele, segurei aquele pau, agora, sem qualquer resistência.
— Eu sei que você não é viado. Já te disse, viado sou eu. Você é um gostoso, e pode me chamar sempre que precisar — respondi.
— Não vou precisar — rebateu, instantes depois, tirando minha mão da rola dele, guardando-a na cueca e fechando o zíper do jeans.
— Bom — coloquei a mão no bração e ele acompanhou meu movimento —, quando quiser, você sabe como me achar. Aqui ao lado, no Whats, no Insta, eu venho correndo. E posso te dar bem mais que um boquete.
Nesse momento, eu senti que ele tremeu na base. Em silêncio. Não tinha sido proposital como tudo anteriormente. Eu realmente só queria que ele soubesse que poderia fazer comigo tudo que quisesse. Era só isso, mas o que consegui e percebi naquele momento foi instigá-lo mais uma vez.
— Tu já não conseguiu o que queria? — Ele me perguntou e eu entendi a deixa. O cuzinho ficaria para outro dia.
Um dia que, eu tinha certeza, não iria demorar. Então, tirei meu time de campo sem protestar. Por hora, eu já tinha vencido muito. Experimentar meu vizinho gostoso já tinha sido meu grande momento. Mas era só o início.
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