Laços de família - Parte 01
Oi gente, o conto da Sol foi curtinho, pois como informei, uma seguidora me pediu meu toque em sua história. Voltei pros meus contos autorais, espero que gostem
Eu tive uma briga com meus pais... algo que pra mim passou dos limites, eu sempre trabalhei, ajudei nas contas, dei dinheiro para ajudar nas compras... eu tinha apenas 20 anos quando certo dia eu estava tomando um banho demorado e meu pai bateu forte na porta:
- Vai morar debaixo do chuveiro?
- Já vou sair...
Fechei o chuveiro e saí rapidamente, enquanto eu me vestia ele entrou no meu quarto gritando:
- Sabe quanto que veio a conta de luz e a de água esse mês? Não quero mais você demorando no banho, quando você tiver sua casa, você demora o tempo que quiser!
- Eu sempre ajudo a pagar e não posso um dia tomar um banho demorado?
- Não pode! Vai queimar os fios do chuveiro e depois sobra pra mim arrumar essa porra
Mãe: O que tá acontecendo aqui?
Eu: O pai me enchendo o saco por eu ter demorado uns 15 minutos no banho
Mãe: Igor, fala direito com seu pai
Eu: EU TO FALANDO!
Pai: Grita de novo com a sua mãe pra você ver se eu não te arrebento! Com 20 anos eu já tinha saído da aba dos meus pais, você é um encostado.
Fiquei calado, ouvi diversas merdas durante a noite, mas não respondi, no dia seguinte fui trabalhar, eu trabalha numa metalúrgica, e meu amigo de trabalho, Alisson, estava me ajudando em algumas tarefas quando me disse:
- Que cara é essa?
- É a vida... tudo tá foda demais
- O que tá pegando?
- Briguei com meus pais, minha namorada também não tá bem com os pais dela, e eu to pensando se o problema somos nós
- Tem pais que são fodas mesmo
- Pois é, os meus sempre foram chatos, mas me xingaram de umas coisas que me magoaram pra porra
- Por que você não sai da casa deles?
- E vou pra onde? Tá fora de data de pagamento, vou esperar juntar um dinheiro e vou ver o que faço
- Eu tenho um apartamento vazio, se quiser ficar lá até as coisas melhorarem, quem sabe você não goste de lá
- Apartamento vazio? Como assim?
- Eu dei entrada num apartamento no mesmo prédio que eu, pra alugar futuramente, ainda tá "cru" porque to sem verba pra mexer
- E você tá morando onde?
- Eu tenho meu apartamento pô, esse outro realmente tá vazio de tudo, quer ir dar uma olhada hoje?
- Vou falar com a minha namorada, de repente a gente vê sim
Na hora do meu almoço, liguei para a Chirley e ela aceitou ver, a situação dela era bem similar a minha, no final do expediente, Alisson me levou de carro, passamos na estação de trem para buscar a Chirley, a cidade era calma, interior de São Paulo, Campo Limpo Paulista, chegamos num condomínio novo, bem bonito, Alisson apertou o elevador para o 12º andar, eu fiquei bobo com o lugar, para mim parecia ser fora da minha realidade, o que era estranho pois Alisson e eu tínhamos a mesma função na empresa, quando chegamos no andar, eu achava que iriamos para o apartamento que ele tinha para nos mostrar, mas ele abriu o apartamento em que morava.
- Entra aí, não repara a bagunça, eu vou pegar as chaves do apartamento de lá de baixo.
Chirley: Licença
Eu: Licença aqui, mano.
Tudo estava limpinho, e aquele cheirinho de comida, vi algumas panelas no cooktop e pensei: "Eu não sabia que o Alisson era casado"
Nos sentamos no sofá esperando ele voltar com as chaves, e a fome estava aumentando com aquele cheiro gostoso, até aparecer uma morena, baixinha, cabelos brilhando, peitos médios, barriga chapada e bunda redondinha, ela estava de vestido florido, e nos cumprimentou sorrindo:
- Oi, vocês são os amigos do Alisson, né?
Chirley: Isso... prazer, eu sou a Chirley, e esse é meu namorado, Igor
Eu: Prazer...
Karina: Prazer, eu me chamo Karina, eu preparei uma janta pra vocês, imaginei que iam chegar cansados, não sabia o que comem, mas espero que gostem
Chirley: O cheiro tá maravilhoso
Eu: O apartamento de vocês é muito bonito
Karina: Obrigada, mas só o Alisson que mora aqui
Chirley: Vocês não são casados?
Karina: Não, somos apenas irmãos
Eu: Ah sim, mas pra um apartamento de homem solteiro tá tudo bem arrumadinho
Karina: Ele é bem chatinho com as coisas dele
Alisson: Eu ouvi você me chamando de chato hein?!
Todos rimos, jantamos e então agradecemos a Karina pela comida, voltamos ao elevador onde Alisson apertou para o 8º andar.
No elevador ele dizia:
- Então, tá cru mesmo, mas como você me falou da sua situação, de repente vocês queiram ficar com o apartamento pra sair dessa briga toda, só coloquei o piso.
Chirley: Vamos ver, de repente dá pra decorar
Ele nos levou ao apartamento, abriu e... não tinha nada, literalmente, apenas o piso, uma pia comum na cozinha com uma dessas torneiras de jardim, não havia cortina alguma na porta de vidro da sacada ou das janelas, o banheiro tinha um vaso sanitário novinho, sem o assento, uma cuba pequeninha e o mesmo modelo de torneira da cozinha, tinham dois quartos, e assim, fazendo eco, Alisson dizia:
- Os planejados são caros pra porra, eu coloquei esses pisos tem duas semanas, aí ainda não consegui colocar a pia, os armários, tá assim... agora só vou mexer daqui a uns três ou quatro meses.
Chirley: O apartamento é grande, bem bonito, se estivesse decoradinho ficaria perfeito
Eu: Você acha que vale arriscar?
Chirley: Quanto você quer de aluguel?
Alisson: Não vou cobrar nada, o Igor é meu amigo pô, só quero que vocês não inventem depois de se apropriar, to fazendo isso pra ajudar vocês
Eu: Não pô, fala um preço
Alisson: Meu... paga as contas e já era, não precisa se preocupar
Eu: Não acho isso justo, a gente só se conhece na empresa
Alisson: Relaxa, eu só quero ajudar mesmo
Chirley: A gente te paga, uns quinhentos reais pelo menos, é o que podemos, sei que vale muito mais
Alisson: Não quero, guarda esse dinheiro pra vocês conseguirem se organizar
Eu: E quanto tempo podemos ficar aqui?
Alisson: Eu só vou precisar mexer quando for por os planejados, pintar, e colocar o box do banheiro, eu vou demorar um ano pra terminar tudo, é o tempo que vocês tem
Eu: Certo... quem sabe a gente saia antes
Chirley: E... a gente já pode dormir aqui?
Alisson: Pode... mas onde? Não tem nem cama
Chirley: É que hoje eu discuti com minha mãe de novo, tá muito foda ficar em casa
Eu: É, eu também to sem clima
Alisson: Porra... dormir no chão gelado é foda, dorme lá em casa
Eu: Não! Não quero te incomodar mais
Alisson: Não incomoda não, amanhã é sábado, aí você dá um jeito de trazer suas coisas
Eu: Tá, vou avisar minha mãe pelo menos pra ela não ficar preocupada
Chirley: Vou deixar uma mensagem pra minha também
Alisson nos entregou as chaves, trancamos o apartamento e seguimos para o seu.
Karina estava no sofá, comendo uma gelatina e assistindo, nos olhou e sorriu:
- Gostaram do apartamento?
Chirley: É maior que a minha casa
Alisson: Eles vão ficar aqui por essa noite
Karina: Ah sim, fico feliz que tenham gostado
Eu: Gostei muito, aqui é melhor que meu bairro
Passamos a noite inteira conversando, Alisson preparou um quarto pra gente e Karina se despediu:
- Eu vou nessa, bom descanso gente
Chirley: Você mora longe daqui?
Karina: Eu moro a uns 10 minutos daqui
Chirley: Ah sim, tá bem, amanhã nos vemos?
Karina: Sim, eu venho quase todo dia, beijo, até amanhã.
Quando ela saiu, Chirley e eu fomos nos deitar, nos abraçamos felizes pela mudança de vida, e ela sussurrou:
- Esse seu amigo, é um amigo pra se valorizar viu? Ninguém cede um apartamento assim pra ajudar outra pessoa, não faz contrato, não cobra aluguel...
- Ele é gente boa, mas eu não esperava que me ajudasse tanto
- A irmã dele vem, arruma a casa dele, faz comida... dá pra perceber que ele é uma pessoa muito querida
- É sim, na empresa ele quem alegra o ambiente
- E como nós vamos fazer com móveis?
- Eu não tenho nada pra trazer além das roupas, eu ia de repente trazer minha cama, mas nem isso meus pais vão querer me dar, vão falar que eu trabalho e tenho condições de comprar
- É... minha mãe vai falar a mesma coisa
- No próximo pagamento vai sobrar dinheiro, não vou ser explorado pela minha própria família
- Nem me fale, dei mais de mil reais pra minha mãe só esse mês, me enchendo o saco com compras, contas, ração de cachorro, remédio de pulgas, até um copo que eu quebrei ela me cobrou
- A gente é tão filho da puta assim? Nossa família não nos suporta, será que a gente que é o problema e não percebe?
- Não amor... é difícil a gente falar assim, mas tem algumas famílias que não se respeitam
- É verdade, bom... vamos dormir, amanhã vemos o que fazemos
Dormimos, pela manhã eu acordei primeiro que todo mundo e decidi "ser grato" pela hospitalidade, fui até uma padaria e comprei alguns pães diferentes, suco e um bolo, voltei pro apartamento e coloquei na mesa esperando o Alisson acordar, a Chirley levantou em seguida, tomamos nosso café e não vimos nenhum sinal do Alisson.
Chirley: Amor, será que ele tá bem?
- Acho que sim, deve estar cansado
- Nossa... será que de sábado ele acordar tarde?
- Que horas são agora?
- Nove e dez
- Tá teoricamente cedo, fomos dormir mais de meia noite
- Bom... ele tá na casa dele, se ele quiser acordar meio dia, tudo bem
Foi ela ter falado isso ele entrou pela porta principal, trazendo mais coisas de padaria, o corpo suado, roupa de academia, eu nunca havia reparado em como Alisson era definido, mas tenho certeza que a Chirley reparou.
Alisson: Oshe, já estão tomando café?
Eu: Pensei que estivesse dormindo, eu fui na padaria e trouxe
Alisson: Eu também trouxe, vamos ter pães pra uma semana
Chirley: Que energia é essa? Já foi pra academia logo cedo?
Alisson: Eu gosto de treinar de manhã, é mais vazio
Chirley: Quem sabe não inspire o Igor a treinar um pouco também
Eu: Opa! Eu não to gordo não, hein?!
Chirley: Não... mas podia definir mais né?
Alisson: Eu vou tomar um banho, já venho tomar café com vocês
O Alisson foi ao banheiro, e Chirley sussurrando disse:
- Você reparou?
- O que? Tá reparando no cara? Me respeita!
- Não... ele não levou roupa pro banheiro, deve ser hábito e não percebeu que a gente tá aqui
- Deve ter roupa lá, ou ele pegou e a gente não viu
- Ele não foi pro quarto
Ficamos na mesa conversando sobre como faríamos, eu tentei um empréstimo no banco para conseguir comprar um colchão mas foi recusado, da mesma forma a Chirley, e então pensávamos em empilhar as roupas e dormir em cima delas, seria uma solução, mas não queríamos dormir de novo na casa do Alisson, não por nada, mas porque não se pode aproveitar tanto dos favores das pessoas.
Depois de alguns minutos, me celular vibrou com uma mensagem de Alisson:
"Igor, esqueci de pegar roupa pra mim, vai no meu quarto, e pega uma cueca preta que está na segunda gaveta da porta da esquerda, na parte de cima tem camisetas, pega uma branca que eu já separei, e nas calças tem uma preta dobrada também, desculpe incomodar, é que eu não tenho o hábito de trazer roupas ao banheiro"
Olhei para Chirley e disse:
- Você tava certa, ele esqueceu a roupa
- Vai lá pegar
- Me ajuda aqui pra eu achar tudo direitinho, não gosto de ficar mexendo no guarda roupa das pessoas
Chirley foi comigo, e ao abrirmos seu guarda roupa ela disse:
- Nossa, quanta roupa!
- É, a irmã dele disse que ele era enjoado, vamos pegar logo que ele tá esperando
Ao abrir sua gaveta de cuecas, a Chirley olhou para a quantidade e disse:
- Caramba, tem uma pra cada dia do mês, enquanto você tá com umas cinco
- Acho que vou pedir umas aulas de finanças pra ele, não é possível uma coisa dessas
- Leva lá pra ele
Bati na porta do banheiro, ouvi a chave girar e Alisson abriu uma pequena brecha por onde passei a mão entregando-lhe as roupas, foi apenas isso, ele se vestiu, se perfumou e saiu do banheiro.
- Valeu, Igor
- Tranquilo, mas aqui, não é bom ficar saindo do banheiro só de toalha depois de um banho quente, esse choque térmico no corpo não faz bem
- Eu geralmente deixo o ar do quarto quente depois do banho
- Ah é verdade, você tem ar condicionado, desculpa aí
- Isso não é luxo não, pô
- Pra quem tá acostumado com ventilador soprando poeira, é sim
Rimos, e então Alisson tomou seu café da manhã nos perguntando:
- Como vão fazer com a mudança?
Chirley: Eu vou ir arrumar minhas roupas, meus cremes, e vou tentar colocar tudo em umas 4 malas mais ou menos
Eu: Acho que todas minhas coisas cabem em umas duas mochilas
Alisson: E os móveis? Fogão, cama?
Eu: Então...
Chirley: A gente não tem essas coisas
Alisson: Tem cartão de crédito?
Eu: Tenho, mas deve ter uns duzentos reais de limite só
Alisson: E vocês vão comer o que? Viver de delivery?
Chirley: Eu ia falar com uma tia minha pra tirar algumas coisas pra gente e íamos pagando
Alisson: Não pede nada pra ninguém não, principalmente família
Eu: É, eu não posso contar com a minha pra nada
Alisson: É melhor comer pão seco do próprio bolso do que pizza do bolso de parente
Chirley: Nisso você tem razão
Alisson: E como vão carregar as coisas?
Eu: Vou ver se dá pra trazer de uber, qualquer coisa eu peço um aplicativo de mudança
Alisson: Eu levo vocês, pode deixar
Eu: Não precisa, fica em paz
Alisson: Eu não tenho nada pra fazer hoje, vai ser uma honra ajudar vocês
Chirley: Por que você tá nos ajudando tanto assim?
Alisson: Porque é assim que as coisas vão pra frente na vida da gente, ajudando os outros
Eu: Pois eu não vejo assim, toda vez que tentei ajudar alguém me fizeram de trouxa
Alisson: Você não perde nada por ser bom, vamos?
Eu: Vamos
Passamos primeiro na casa da Chirley, os pais dela foram até tranquilos, a abraçaram e desejaram boa sorte, a mãe dela explicou que realmente estavam tendo muitos atritos mas que a amava muito, logo em seguida fomos para a casa dos meus pais, lá o clima foi mais pesado, meu pai me abordou enquanto eu guardava as coisas:
- Vai morar com amigo?
- Não, pai, eu aluguei o apartamento dele
- Alugou sem móveis? Vai dormir no chão?
- Eu vou dar um jeito, só quero ter paz
- Paz? Você acha que ter paz é morar numa casa vazia?
- Paz é ficar longe dessa arrogância toda
- Você tem certeza que vai sair? Depois eu não aceito ninguém de volta!
- Eu vou... e não vou voltar não
- Tá certo...
Parece controverso dizer isso, mas eu sabia que meu pai queria apenas meu bem, ele era bruto, sem demonstração nenhuma de amor, mas eu sabia que ele me amava, abracei minha mãe e o abracei, ele nem sequer mexeu as mãos, mas tudo bem, o carro de Alisson ficou cheio com nossas coisas, voltamos ao condomínio e subimos pelo elevador de cargas, deu umas três viagens, mas conseguimos espalhar as bolsas, mochilas e as sacolinhas pelo grande apartamento vazio.
Alisson olhou tudo aquilo com uma expressão de incomodado, e disse:
- Vamos ali
- Ali onde?
- Só vamos
Descemos com ele novamente e Alisson nos levou a uma loja de móveis.
- Escolha aí uma cama, uma geladeira e um fogão
Chirley: Não, nem pensar
Alisson: Pode escolher, é presente de casamento a vocês
Eu: Mas nem somos casados
Alisson: Por isso que quando você casar não vou dar porra nenhuma
Eu: Cara, eu fico sem graça até pra escolher
Alisson: Eu não tenho o dia todo
Chirley e eu andamos pela loja e procuramos algo bom, mas barato, não queríamos parecer interesseiros, escolhemos uma boa cama, um fogãozinho de 4 bocas, e uma geladeira pequena, Alisson coçou a cabeça e disse:
- Beleza, esperem aí que eu vou conversar com o gerente
Ficamos tímidos sentados nesses sofá de loja, assistindo uma imagem repetida de natureza nessas tv que nunca vamos comprar, enquanto Chirley me dizia:
- Que coração bom... nossa, presente de casamento adiantado
- Pois é, agora me senti até pressionado para te pedir em casamento
- Eu acho é bom
Erguemos os olhos e vimos Alisson apontando uma geladeira maior ao vendedor, Chirley me perguntou:
- O que ele tá fazendo?
- Acho que deve estar fazendo orçamento pra quando for mobiliar o apartamento
Ele se sentou numa dessas cadeiras em frente a um vendedor que lhe pediu um monte de dados e enfim ele voltou com um monte de papéis dizendo:
- Bora?
Eu: Deu certo?
Alisson: Deu, eles vão entregar depois de amanhã
Eu: Beleza, a gente junta as roupas e faz uma cama
Alisson: Esses dois dias vocês vão dormir e comer na minha casa
Chirley: Alisson, a gente agradece mas...
Alisson: Não tem mas... vocês vão ficar na minha casa.
Voltamos pro carro dele, e fomos para seu apartamento, eu comecei a me sentir um "coitado", e então falei sem nenhuma vergonha:
- Cara, o que você faz pra... pra ter dinheiro assim? A gente ganha a mesma coisa, é estranho, você tem bem mais gastos que eu
- Eu tenho minhas economias, antes de entrar na metalúrgica eu ganhei um dinheiro legalzinho aí, relaxa, não fica se comparando não, cada um tem seu tempo, e agora vai te sobrar mais dinheiro, você vai ver
- Tomara, tomara que sim
Karina: Licença...
Karina entrou, mais linda do que da primeira vez que eu a vi, ela usava um vestido rosa clarinho.
Alisson: Opa, entra aí
Chirley: Menina, que vestido lindo!
Karina: Obrigada
Alisson: Veio almoçar?
Karina: Vim sim, já fez?
Alisson: A gente acabou de chegar, mas vou preparar algo
Karina: Deixa que eu faço um strogonoff rapidinho, busca uma coca pra gente
Alisson: Folgada...
Alisson saiu, eu me ofereci pra ir com ele, mas ele disse que iria no mercado do condomínio mesmo e que voltaria rapidinho, assim, Karina começou a cozinhar e Chirley falou:
- Você e seu irmão são bem unidos, é bonito de ver
- Nós não éramos unidos assim, a gente brigava feito cão e gato
- Nossa, nem parece
- Pois é, ficamos mais unidos depois da morte do meu pai
- É... o luto une a gente, vocês tem mais irmãos?
- Sim, tem o Alisson, a Jaqueline e eu
- Essa Jaqueline mora por aqui também?
- Sim, é nossa caçulinha, olha uma foto dela aqui
- Ai que lindinha, vocês fazem uma família tão linda
- Obrigada
- Eu pensei que vocês fossem até um casal pelo jeito carinhoso entre vocês
- Podíamos ser, mas o Alisson foge de mim
- O que disse?
- Ai... pensei alto demais
- Eu ouvi... você tá tentando ficar com ele?
- Eu já tentei muito, já falei abertamente com ele sobre isso, mas ele não concorda com incesto, é só um fetiche que eu tenho nele, nada demais
Ao ouvir isso, me deu um certo tesão, a Karina confessou timidamente que queria dar pro próprio irmão, mas Chirley continuou:
- Eu acho estranho transar com o próprio irmão, primos até dá pra entender, mas irmão... eu tenho é raiva do meu irmão
- É que você nunca viu o Alisson sem camisa, o cara é gostoso, e eu acho que ele é dotado, porque uma vez eu...
A porta abriu com Alisson entrando, e o assunto foi cortado, justo quando a conversa estava ficando apimentada.
Ele colocou o refrigerante na mesa e se sentou ao meu lado para assistir qualquer coisa que estivesse passando.
Almoçamos e como da noite anterior, a comida da Karina estava uma delícia.
Ela só almoçou e disse que precisava ir pra casa, foi então que Chirley e eu nos olhamos e movidos por um tesão tímido resolvemos fazer "charadas".
Eu: Cara... posso tocar num assunto delicado?
Alisson: A vontade
Eu: É de cunho sexual
Alisson: Pode falar
Chirley: Você faria... assim... tem uma garota louca por você
Eu: É... só que tipo, ela não quer relacionamento, só quer te dar...
Alisson: Sexo casual?
Eu: Isso, só que ela tá bem mais próximo do que você imagina
Chirley: Ela já tentou dar umas pistas e você nem tchum
Eu: O que faria você transar com ela?
Alisson ficou nos olhando tentando entender, respirou fundo e disse calmamente:
- Vocês estão me propondo sexo a três? Eu topo, sim.
Eu: Não, não é a Chirley não caralho, puta que me pariu
Chirley corou, abaixou a cabeça e disse:
- É a Karina, não sou eu não
Alisson: Ah, a Karina já me disse que queria uma baguncinha, mas ela é minha irmã, não tenho desejo nela
Eu: Como não tem? Uma gostosa daquela! Vai me dizer que você não foderia?
Chirley: Achou a Karina gostosa, Igor?
Eu: Não... eu quis dizer que...
Alisson: Que ela é gostosa, sim... ela é uma delícia, mas é minha irmã, eu jamais faria isso
Eu: Uma vez não vai cair seu pinto
Alisson: Não é questão disso, é o respeito entre irmãos, se eu foder ela, vou perder aquela inocência de quem quer cuidar fraternalmente, e eu me conheço, eu gosto de putaria, vou querer comer mais vezes
Chirley: Então aproveita essa putaria e come ela várias vezes
Alisson: Melhor não...
Eu: O que te fez pensar que nós estavamos te convidando pra sexo a três?
Alisson: O jeito que vocês falaram que nem idiotas rindo, todo tímidos, não era mais fácil dizer que minha irmã queria me dar?
Chirley: É, a gente viajou, mas por que você disse que aceitaria? Com a sua irmã você não aceita, mas com a gente que somos desconhecidos sim?
Alisson: É diferente, né? Vamos parar de falar disso, vamos sair? To ficando entediado aqui
Eu: Sair pra onde?
Alisson: Vamos pra um shopping que tem em Jundiaí, deve estar bom lá
Eu: Vamos
Fomos pro shopping, andamos, conversamos, comemos, e voltamos, quando Chirley e eu nos deitamos, ela se debruçou em meu peito e ficou fazendo carinho.
- Que foi amor? Tá pensativa
- Nada amor, to só cansada
- Eu te conheço, tá com saudade dos seus pais?
- É... é isso
- Eu também to pensando nessa mudança toda, que loucura, né?
- Sim, é uma doidera
- Amor.
- Que foi?
- Você ficou pensando também, né?
- Pensando no quê?
- Na besteira que a gente falou pro Alisson. Do sexo a três.
Ela riu baixinho, com o rosto escondido no meu peito, e eu senti o hálito dela esquentar minha pele.
- Ele disse que topava achando que era a gente que tava chamando ele.
- Pois é... que estranho
- Você já imaginou? — ela perguntou, e a voz saiu diferente, mais baixa, mais lenta, do jeito que ela fala quando tá com tesão e não quer admitir.
- Já. Confesso que já.
- Ele é bonito, né? Você viu de manhã, ele voltando da academia suado, a camiseta colada...
- Vi.
- Você viu a perna dele?
- Amor, ele usa bermuda, é óbvio que eu vi a perna do cara.
- A coxa... você viu a coxa dele?
Vi. Claro que vi. O Alisson tem uma dessas coxas grossas de quem treina perna de verdade, com aquele vinco lateral que separa o músculo do resto, e o short subindo quando ele senta. E eu, que nunca fui de reparar em homem, comecei a reparar..
- Vi... vi a coxa dele, o que tem?
- Eu... to com um pequeno tesão nele, me desculpa, confessar
- Tudo bem... se rolar um clima naturalmente quem sabe
- Mesmo?
- Sim
Foi só isso. A gente não combinou nada, não marcou nada, não teve "vamos marcar".
Dois dias se passaram, chegou a cama, a geladeira, o fogão, tudo diferente do que tínhamos escolhido, o Alisson escolheu melhor que nós, compramos algumas cortinas, tapetes, aos poucos montamos o apartamento do jeito que dava, a vida começou a ter cara de vida.
O tempo foi passando assim, Alisson e eu íamos e voltávamos do trabalho juntos, a Karina continuava nos recepcionando às vezes com um jantar maravilho e Chirley e ela ficaram cada vez mais amigas.
Aos poucos a nossa amizade foi virando uma família.
Até que numa sexta-feira, a Karina tinha ido dormir na casa de uma amiga em Jundiaí. Ela passou no apartamento só pra deixar uma panela de feijão pronta e avisou:
- Amanhã eu volto. Não façam besteira.
Rimos, como se ela desconfiasse que fossemos aprontar algo.
O Alisson chamou a gente pra ver um filme, comprou duas caixas de cerveja, pediu pizza. A gente sentou no sofá, eu de um lado, ele do outro, a Chirley no meio. Foi começando com aquele encostar de joelho que ninguém assume. Depois ele jogou o braço no encosto atrás dela, e o braço caiu um pouco. Depois ela riu de uma cena e encostou a mão na perna dele, e a mão demorou pra sair. Eu bebi. Ele bebeu. Ela bebeu. Três cervejas em cada um e o filme já tinha virado fundo de tela.
Foi a Chirley que quebrou o gelo:
- Alisson?
Alisson: Oi?
Chirley: Aquele dia, no almoço. Quando você disse que topava o sexo a três...
Eu virei pra olhar incrédulo, mas não disse nada
Alisson: Hum...
Chirley: Você sabe que a gente tava falando da sua irmã, né?
Alisson: Sei, vocês me explicaram.
A Chirley virou o corpo pro lado dele, dobrou a perna no sofá, e o vestido subiu na coxa dela. O Alisson olhou. Olhou de verdade, e aí ele parou de fingir que tava assistindo o filme.
Chirley: E se a gente fizesse isso?
O Alisson respirou. Colocou a lata no chão, devagar, como quem ganha tempo.
Alisson: Você vai brigar comigo, Igor?
Eu: Não... não vou não
Ele virou o rosto devagar e beijou a Chirley.
Foi um beijo de verdade. Nada de selinho. Ele segurou o rosto dela com uma mão só, o polegar na bochecha, e a Chirley derreteu, abriu a boca pra ele, deixou ele conduzir. E eu ali, a trinta centímetros, vendo a língua do meu amigo entrar na boca da minha namorada, e sentindo o pau endurecer dentro da bermuda que nem um moleque.
Ela se afastou depois de um tempo, ofegante, e olhou pra mim com os olhos brilhando e as bochechas vermelhas.
- Vem pra cá amor...
Eu beijava ela, ele beijava o pescoço dela, ela esticava o braço e puxava a nuca dele. Foi assim que a mão dele encostou no meu ombro pela primeira vez, e foi estranho por dois segundos e natural no terceiro.
A Chirley levantou e tirou o vestido pela cabeça, de uma vez, e ficou de calcinha e sutiã no meio da sala. O Alisson levantou junto e tirou a camiseta. E aí eu entendi por que a Karina falava do irmão do jeito que falava. O cara é um quadro. Peito cheio, ombro largo, a barriga com aqueles gomos discretos de quem treina pra si, não pra foto. E a Chirley olhou pra ele com uma fome que ela nunca disfarçou.
Chirley: Você é gostoso demais...
Alisson passou a mão no quadril dela e disse:
- Você também.
Ela tirou o sutiã, e os peitos caíram, e o Alisson abaixou a boca num deles sem cerimônia. A Chirley jogou a cabeça pra trás e gemeu, um gemido comprido, e eu vi a mão dele descer pelas costas dela e entrar por dentro da calcinha pelo lado.
- Aiii, amoor... vem
Eu tirei a roupa e me ajoelhei na frente dela. Puxei a calcinha até o chão e ela saiu, um pé depois do outro, e ficou pelada entre nós dois, com o Alisson atrás mordendo o ombro dela e a mão trabalhando na frente. Ela estava molhada de um jeito que dava pra ver brilhar. Eu me debrucei e passei a língua ali, de baixo pra cima, devagar, e ela segurou minha cabeça e empurrou o quadril na minha boca.
O Alisson tinha os dedos no grelo dela, e a cada vez que ele apertava, ela tremia na minha língua. A gente trabalhou junto sem combinar, cada um de um lado, e ela ficou tão louca que começou a falar besteira.
- Ai porra... issoo, não paraaa
Ela gozou assim. Em pé, nas nossas mãos e bocas, com as pernas tremendo e uma mão agarrada no meu cabelo e outra na nuca do Alisson.
Quando ela voltou de si, olhou pro pau dele, que tava marcando a bermuda de um jeito escandaloso.
Ele tirou. E aí a Chirley abriu a boca e engoliu o Alisson inteiro, de uma vez, até o talo, com aquela técnica que ela usa em mim e que eu achava que era exclusividade minha, mas não coube tudo em sua boca.
Alisson: Meu Deus...
Eu: Gostoso, né?
Alisson: Você tem sorte, hein.
A Chirley chupava ele e me olhava por baixo dos cílios. Depois tirou a boca dele, lambuzada, e virou pra mim, e chupou o meu do mesmo jeito, alternando. Um na mão, outro na boca, revezando, e o som molhado enchia a sala. O Alisson chegou a esticar a mão e apoiar no meu ombro pra se equilibrar, e ficou ali, com a mão no meu ombro, vendo a namorada do amigo engolir o pau dele.
Eu: Deita no sofá
Ela deitou. O Alisson se ajoelhou entre as pernas dela e encostou a cabeça na entrada, e olhou pra mim pedindo permissão, e eu fiz que sim com a cabeça, e ele empurrou. Entrou inteiro de uma vez, porque ela tava aberta e molhada de gozar duas vezes, e a Chirley gritou e agarrou as costas dele.
- Aiiii, é muito grande, porra...
Ele meteu devagar no começo, se acostumando, e depois pegou o ritmo. E eu subi no sofá, me ajoelhei ao lado da cabeça dela e ofereci o pau na boca dela, e ela virou o rosto e mamou enquanto era fodida. Aquilo foi uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida: a Chirley com a boca cheia, o Alisson suando em cima dela, a sala com cheiro de cerveja e sexo, e o filme ainda passando baixinho na televisão como se nada estivesse acontecendo.
O Alisson aguentou bem. Ele é disciplinado até nisso, aparentemente.
Alisson: Eu vou gozar...
Ela: Goza dentro... eu tomo injeção
E ele gozou, cravado até o fundo, com as mãos apertando a cintura dela, e deu pra ver o corpo dele tremer inteiro. Ficou um tempo ali, parado, ofegando, até sair devagar e deitar o peso na lateral do sofá.
A Chirley se levantou, as pernas meio bambas, e olhou pra mim com aquele sorriso que só ela tem.
- Sua vez
- Como você quer?
- De quatro
Ela se ajoelhou no chão, apoiou os cotovelos no sofá, e levantou a bunda pra mim. O Alisson, do lado, se ajeitou pra assistir. Eu encaixei e entrei, e ela ainda tava quente e lubrificada do outro, e a sensação foi diferente, mais escorregadia, mais profunda. Meti com força, do jeito que ela gosta quando tá excitada assim, segurando os quadris dela.
O Alisson se aproximou e ficou acariciando as costas dela, depois desceu a mão e ficou brincando com o grelo dela enquanto eu metia, e ela começou a tremer de novo, rápido.
- Aiii, eu vou gozar de novooo, aiiii
E ela gozou a terceira vez, gritando, apertando meu pau por dentro de um jeito que quase me derrubou.
Foi quando o Alisson, com a mão escorregando pelo meio da bunda dela, encostou um dedo no cu dela. A Chirley gemeu e empinou mais.
Ele pegou o pote de creme da mesinha, passou, e começou com um dedo, depois dois, e a Chirley foi relaxando, gemendo cada vez mais alto. Eu continuei metendo devagar, sentindo ele preparar por cima. Depois ele se posicionou.
Alisson: Aguenta os dois?
Chirley: Posso tentar...
Ele empurrou. Entrou devagar, centímetro por centímetro, e a Chirley foi ficando cheia, apertando os dois, e eu senti a pressão em volta do meu pau mudar completamente. A gente ficou parado um tempo, ela respirando fundo, os dois dentro.
- Aiiii, aiiii meu cuzinho....
Eu: Quer que pare?
Chirley: Não... aiii, mete.
E a gente meteu. Primeiro desencontrado, um entrava quando o outro saía, e depois a gente acertou o compasso e virou uma máquina só, e a Chirley entre nós dois virou um bicho, falando coisas que ela nem fala direito. Aquele som dos dois entrando e saindo, o barulho da pele, o gemido dela esticado, a sala toda parecendo pequena.
Foi aí que aconteceu, a porta abriu, ninguém ouviu chave, ninguém ouviu a porta abrir. A Karina tinha voltado porque a amiga passou mal, e ela entrou pela porta da sala com a mochila no ombro e a boca já aberta pra falar alguma coisa, e a coisa ficou presa na garganta.
A mochila escorregou do ombro dela e caiu no chão com um baque surdo.
A Karina olhou pro irmão nu, de pau duro, com a mão na bunda da namorada do amigo. Olhou pra mim, dentro dela, segurando a cintura. Olhou pro rosto da Chirley, vermelho, suado, com a boca entreaberta e o cabelo colado na testa, ficou uns cinco segundos calada, cruzou os braços e disse calmamente:
- O que tá acontecendo aqui?
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Comentários (5)
Jonaz: Dps de tantos comentários positivos sobre "Os cunhados" fui ler, amei a saga, ainda estou lendo o "Jogo perigoso", virei fã desse autor.
Responder↴ • uid:1e0akxuexpprJulinha: Os cunhados virou um clássico aqui, Jogo Perigoso foi muito gostoso, o Pedro tem seus momentos de escrever alguns contos ruins (como o "Entre a aliança e o desejo"), mas acompanhe, ele te fará gozar muito
• uid:1e0akxuexpprJulinha: Esse aqui eu senti seu dedo kkk, o conto da Sol foi bom... mas por ser um conto cooperado me deixou com a sensação de q faltava um tchan. Amo os seus contos!
Responder↴ • uid:1e0akxuexpprLuanny: Siiim, esse tem o "dedo" do Pedrinho kkkk é bom saber q não fui a unica a sentir a diferença. E que conto gostoso!
• uid:1e0akxuexpprPERMITA-SE: O melhor laço que possa existir, muito bom ! Continue t. Permiitasse
Responder↴ • uid:2poxof2hywy