#Coroa #Sado #Traições

Capítulo II — O Mapa do Sangue e do Aço

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SR. HANMA

O continente de **Eryndor** estendia-se como uma fera adormecida sob o céu cinzento do mundo. Ao centro de sua massa territorial erguia-se **Valdoren**, um reino de planícies férteis, costas profundas e rotas naturais que, por séculos, haviam feito dele o coração do comércio continental. Era um território estrategicamente abençoado — e agora, perigosamente armado.

Ao norte, as **Montanhas de Khar-Vael** formavam uma muralha de pedra negra, picos eternamente cobertos por neve e lendas. Dizia-se que antigos clãs guerreiros haviam vivido ali antes de serem esmagados pelo tempo. Através de apenas três passagens conhecidas, Valdoren mantinha uma paz tensa com o **Reino de Skeld**, uma nação austera, forjada no frio, governada por reis que respeitavam força acima de palavras. Skeld não era aliado, tampouco inimigo — ainda.

A leste estendiam-se as **Terras Rubras de Ashkar**, um deserto cortado por cidades fortificadas e governado por príncipes-guerreiros. Ashkar admirava a transformação de Valdoren. Mensageiros iam e vinham, trazendo aço, cavalos e promessas não escritas. Era uma aliança silenciosa, selada não por tratados, mas por respeito mútuo à brutalidade.

Ao sul, o **Mar de Lýrios** beijava os portos valdorianos. Ali repousava o antigo poder naval do reino, agora convertido em frota de guerra. Além do mar ficavam as **Cidades-Livres de Thalassar**, estados mercantes independentes que observavam Kael com horror velado. Com elas, Valdoren mantinha uma paz frágil — sustentada apenas pela memória do ouro que um dia os uniu.

A oeste, por fim, encontrava-se **Eldharyn**, um reino antigo, governado por uma linhagem de reis-sacerdotes. Verde, florestal e profundamente religioso, Eldharyn via Kael como uma blasfêmia viva. A guerra ali não era questão de “se”, mas de “quando”.

No centro de tudo isso, erguia-se **A Coroa Negra de Valdoren**, a capital: uma cidade de mármore claro agora manchado por fuligem e fornalhas. Torres mercantis haviam sido convertidas em bastiões. Bancos tornaram-se arsenais. O cheiro de especiarias fora substituído pelo de ferro quente e sangue seco.

### O Rei

**Kael Dravaryn tinha vinte e oito anos** quando consolidou seu poder.

Era alto — mais de um metro e noventa —, com um corpo moldado não por luxo, mas por disciplina violenta. Ombros largos, braços marcados por cicatrizes antigas, mãos calejadas pelo uso constante da espada. Seu rosto era anguloso, severo, com uma beleza fria que intimidava mais do que atraía. Os olhos, negros como obsidiana molhada, pareciam sempre avaliar o mundo como um campo de batalha.

Seus cabelos, longos e escuros, eram usados presos apenas durante a guerra. No trono, caíam soltos sobre a armadura negra gravada com o símbolo de Valdoren — uma balança quebrada por uma lâmina.

Kael não usava coroa. Dizia que coroas eram para reis que precisavam ser lembrados de quem eram.

Ele não dormia muito. Não bebia em excesso. Não ria. Sua mente estava sempre em movimento, traçando campanhas, avaliando lealdades, antecipando traições. A guerra não o excitava apenas fisicamente — ela o organizava por dentro. O caos do mundo fazia sentido quando reduzido a inimigos e alvos.

### O Sistema do Reino

Valdoren deixara de ser uma monarquia mercantil para se tornar um **Estado Marcial Absoluto**.

As antigas guildas foram substituídas por **Ordens de Produção Militar**, cada uma responsável por suprir o exército: aço, alimentos, navios, armas de cerco. Todo cidadão era registrado. Todo homem saudável, treinado. Toda mulher, útil ao esforço do reino — como curandeira, estrategista, forjadora ou administradora.

O poder concentrava-se no Rei, mas era executado por um conselho novo, temido e extremamente leal: **O Círculo Carmesim**.

### O Círculo Carmesim

**General Voren Kaalth** — 52 anos
Comandante Supremo dos Exércitos
Um gigante grisalho, com voz rouca e uma cicatriz que atravessava o rosto do nariz ao maxilar. Conheceu Kael quando ainda era instrutor de guerra contratado para “educar” nobres. Foi o primeiro a perceber que o príncipe não brincava de lutar. Vê Kael não como um rei, mas como uma arma perfeita. Está ali por devoção à guerra.

**Lady Myrien Vhal** — 34 anos
Arquitetra do Estado e Mestre da Logística
Antiga contadora-chefe da maior guilda mercantil. Kael poupou sua vida quando destruiu a guilda, impressionado por sua mente fria e capacidade matemática implacável. Myrien não ama Kael — mas acredita que resistir a ele é inútil. Sua lealdade nasce do pragmatismo absoluto.

**Ser Dhoran Fell** — 41 anos
Mestre dos Espiões
Magro, discreto, de olhos claros e sempre cansados. Surgiu do submundo da capital. Kael o encontrou após uma tentativa de assassinato contra si mesmo — Dhoran havia descoberto o complô antes de todos. Em vez de puni-lo por seu passado criminoso, Kael o elevou. Ambos entendem que informação é uma arma mais silenciosa que qualquer espada.

**Alta-Capitã Elenya Rhor** — 29 anos
Comandante da Frota Negra
Nascida nas docas, criada entre marinheiros e tempestades. Elenya enfrentou Kael verbalmente quando ele ordenou a militarização dos portos — e sobreviveu. Isso, por si só, a tornou única. Kael respeita força, mesmo quando o desafia. Ela está ali porque acredita que Valdoren dominará os mares.

### Outras Forças em Movimento

A população vive entre o medo e a adaptação. Crianças aprendem a manejar lâminas antes de escrever. Canções antigas de comércio foram reescritas como marchas de guerra. Há resistência, sim — células escondidas, sussurros nas tavernas —, mas o medo é mais rápido que a esperança.

Nos salões do palácio, Kael observa mapas gigantescos gravados em pedra. Cada reino vizinho é marcado não por nomes, mas por símbolos: espadas, chamas, caveiras.

Valdoren não busca mais prosperar.

Busca dominar.

E enquanto o continente ainda tenta compreender o que nasceu no coração outrora dourado do comércio, Kael Dravaryn prepara o próximo passo — não como um rei defensivo, mas como algo muito mais perigoso:

Um conquistador que acredita, com fé absoluta, que o mundo só encontra ordem quando ajoelhado.

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